quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Rocha



Sigo por aí tentando ser
aquilo que eu achei que fosse mas não sei se sou
Sigo por aí tentando ver
aquilo que eu achei que fosse claro mas não sei se vou
Seguir por aí tentando ver
se pode ser aquilo que eu não sei se é
Aquilo que não se alcança dizendo
Que há além das ondas e das águas na maré

Sinto que eu não 'sinto muito' mais
Por que está perto a hora do fim
Sinto que eu não perco nada ganhando menos
Por que o que eu realmente ganho fica em mim
Sei que todo dia é a mesma merda,
E que tudo acaba demorando em ser ruim
Então cadê, amor?
Cadê aquilo pelo que eu vim?

É de noite que a água bate,
e flui por onde for
Somos o mundo, a rocha e o mar
E vivo à espera de mudar


domingo, 25 de agosto de 2013

Soneto às 3

Em cada esquina, uma mentira
Se esconde, em minha mente
Resta a fome de palavras
Que não mais pronunciarei

Eterno medo me abandone
Já não sei mais do teu nome
E ainda assim repito outra vez
Volta, volta de onde nunca devia ter partido

Aquelas flores, aquela carta
Esperando que o véu se parta
E chovam rosas em teus pés

Abra teu mundo a minha vida
Desista então da despedida
E minha boca canta o dicionário da paixão

por Guilherme Klausner

Moda da Saudade

Toca novamente a doce melodia
Da despedida que se faz tranquila
Na certeza de terminar
Com o reencontro de dois amantes
Que com um beijo embaraçante
A saudade lancinante vão sanar

Com você ouço melhor no samba
Alegre da minh’alma arranca
Todo o pesar
E afinal era só você
Que eu esperava
Em cada esquina
Reencontrar

Só tinha de de ser com você
Já dizia a bossa
E eu fazia troça de relembrar
Constante da não feita amante
A me assombrar

Mas afinal a bossa tava certa
E quando a saudade aperta
Me desespero para te ligar
E quando ouço tua voz
Do outro lado da linha
O coração tento segurar

Mas tenha certeza
Que não há maior tristeza
Do que ainda não poder falar
Que te amo
Sempre te amei
E sempre vou te amar

por Guilherme Klausner

Bossa pra não ficar devendo

Tu
Me fizeste flor
Despetalou
E transformate-me em apoio pra tua dor

Ah, mas se pudesses ver
O que fizestes
Talvez não faria de novo

Com um Amor que lhe fosse novo
Pois não sabes quanto mal fizeste a mim, fizeste a mim

Dói, quanto viras tua face
Para fugires do enlace
E teus olhos fitam o jardim, melancólico

Por que
Por que pensas diferente
Não se lembra como a gente
Costumava se amar quando chovia

Naquele dia
Ahh
Abandonei
A minha vida
Transformei-a em despedida
De uma pessoa que não posso mais ser

Antes
Tinha um coração desbravante
Uma coragem retumbante
E agora só me sobra a dor

Pois tu fostes
Pra não retornar jamais

por Guilherme Klausner

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Apenas é


Meu amor, a vida inteira,
Tive medo de não ver
Paixão que não fosse criada
Amor de verdade acontecer

Vi estrelas apagarem
Vi o fogo fazer cinzas
Flores desabrocharem
Das densas sombras às luzes mais lindas

E a luz me cegou
E a paixão veio em cheio
O céu desabou
E o azul se tornou vermelho

E aí eu vi que não há fé aonde há medo
E é preciso acreditar no amor
Não é estranho eu crer em você
E você nem se quer tentar se livrar da dor?

Quem acredita não pensa
Apenas sabe, apenas é
Quem é rico dá valor ao poder
e por isso não anda com a ralé

Conhecimento é burrice disfarçada de saber
Sabedoria é entendimento disfarçado de poder
E o poder é fraqueza disfarçada de força
Para o teatro da mente novamente florescer

No fim todas as cores são branco
Até que a luz se extingue, e aí são negro
No silêncio venenoso morre o falso
Somem as ilusões e resta o homem íntegro

Sem luz não há o que ver,
sem ver não há o que imaginar, 
sem imaginar não há o que dar a preencher, nem a que faltar,
sem falta não há o que doer,
e sem dor não há o que temer.

Surge a liberdade novamente,
Do puro fato de ser,
Da morte do falso eu
E também da falsa você

Surge amor novamente, dessa vez de verdade
Sem paixão, sacrifício e piedade
Apenas dois pássaros voando 
cada um para onde seu vento levar.

Amigo de Samba

Amigo que parte para o futuro,
Tu que fizestes sempre por onde
Vieste a mostrar que a coragem
Do que ama a verdade, nunca se esconde

A luz que demos a eles
Se olharem pro céu, verão que persiste
Paz que o poeta nem sempre teve
Mas amor grande sem dor não existe

Mudamos o mundo em instantes
Alegrando aos nossos iguais
Sofreram de causas semelhantes
Mas deixaram suas mágoas para trás

As tristezas que levo desta vida
Foram transformadas em serenidade
Com o poder de que o samba é capaz
Juntos, tocamos a felicidade

Vá e fixe sua casa no céu
Donde tudo funciona melhor
Nossas memórias ficarão em versos
Que todos terão de cor

Tanto faz quem eu sou

E hoje eu sou feliz
Sou canteiro, maloqueiro, guerreiro
Se ponho gorro, com a barba
Viro até baleeiro

E você me diz
Que a vida é sobre ser certeiro
Perspicaz, amante que calcula
E que o mundo é o grande celeiro

Pois por um triz
Não fui eu quem destruiu inteiro
Aquilo que cazuza e caetano
Amavam dezembro a janeiro

O Ser da atriz
Se confunde na música da vida
Rio e a Bahia atrevida
Se cantam a paz do senhor
Por trás vem perdida
A triste canção do ator

Sílvia

Não merecem sua atenção
Nunca viveram seus sonhos
Não viva por sua frustração
São todos estranhos

Falam de nós e esquecem de si
Nasceram estrelas, perderam o brilho
Querem estar em paz
Vivendo através de seus filhos

Mas você não merece apagar
Não tens o direito de deixar
O mundo sem a mais pura
Luz do coração incapaz de magoar

Serás a maior das deusas
Seja qual for o caminho que trilhar
És a rosa, a beleza, sempre serás
Radiante, fará o mundo melhor
Por onde passar

Sílvios cachos desejam o vento
Vivem os machos do seu contento
Crias a forma que traz o intento
O propósito da vida: amar

Primavera

Não querendo me gabar
Mas você não é o primeiro
Que fala isso pra mim não
Que o mundo dos homens é cinza
E que aqui todo mundo é ladrão
Veio o tempo da idéia e passou
E que a rosa veio a desabrochar
Mas depois murchou

Não querendo me gabar
Mas você não é o primeiro
Que eu vou dizer isso não
Que as rosas que eu tenho comigo
Nenhuma colhi, são de cristal
Poli, nunca morrerão
Como a idéia que surge no peito
Serei imortal
Nas palavras do grande poeta
No grito do povo que combate o mal
Destrua meu corpo e terás o mártir
Verás que seu castelo é gigante
Mas é feito de areia e sal

Ao homem ao fundo que bebe sozinho

Trinta anos se passaram
Os amigos se arrumaram
As mazelas encrencaram
As raízes se entranharam
E a vida, ela segue

Sei que tudo é passageiro
Vícios, Virtudes, o mundo inteiro
O que é a realidade de nós?
O mais selvagem formigueiro
Por que a vida, ela segue

Quantos carros vi levando
O futuro e o destino
E a chuva lavando
O suor dos dias a pino

Sacrifícios esquecidos
Trabalhos interminados
Resquícios entristecidos
De multidões manipuladas

Será que se eu quisesse
Mudar tudo eu conseguia?
Mesmo sem ajuda
Mesmo sem um guia
Vivo a esperança
De voltar você um dia
E enquanto isso a vida, ela segue

Insônia

Lua, de olhos azuis
Faz com que o céu toque o mar
Canto a beleza sua
Que me obrigou a sonhar

Cheia de graça e luz
Trouxe à noite esplendor
Fez meu coração contente
Fez o existir ter sabor

Tento, deito e não consigo
Me escapar de você
Penso em dormir e não posso
O coração quer viver

Tu que deixastes o sol
Alvorecer de paixão
Levas consigo a minha chance
de completar minha missão

Espero o momento em que sonho
Com você mais uma vez
Acordarei na saudade
Mas a memória terei

Sonho o momento em que espero
Você chegar lá do céu
Pra me levar lá pra cima
E conversar com Miguel

Direi a ele que a terra
Sofre de imperadores
Mas você nos dá graça
Você nos dá cores

E ele me dá boa noite
E eu vou durmir lá
Acordo nesse pesadelo
Sem meu amor a brilhar

Lua

Sopro divino do vento gelado
Vazio que mata afogado
Aos poucos o meu ser

Luz que ilumina essa tão noite escura
Queria que às vezes a lua
Fosse tão bela quanto você

Sempre que eu cumpro a tarefa diária
De dar ao sistema um pouco da rara
Energia que também anima a mim

Saio no breu, no silêncio venenoso
Quando o Rio é confuso e saudoso
Memórias de um tempo que não vivi

Certo de que tudo é falso, meu bem
Se tu não estás aqui, nada tem
Razão de existir

Esqueço que até o que é ilusão fere
Eis que meu pensamento se adere
No teu olhar

Você partiu sem nem chegar
Crio qualquer razão pra te amar
Por que sem luz não há porquê
Não existe um eu sem você

Dizem que seu belo nome foi dado
No nosso satélite inspirado
Mas eu duvido

Por que o teu nome eu daria à maior
E mais brilhante das estrelas
Faz mais sentido

Se eu quisesse provar a existência de Deus
A quem fosse, mostraria os seus
Retratos

Mas quem diria que amor não tem modo de agir
A lua que chega, o sol a partir
Sem contratos

E se esse sonho constante viesse a sumir
E as mais belas flores voltassem a florir
Dos teus cachos

Talvez cada dessas noites fosse uma só
Ao invés de todas mortais e sem dó
Aos viajantes das trilhas do coração

E você partiu sem nem chegar
Crio qualquer razão pra te amar
Por que sem luz não há porquê
Não existe um eu sem você

Você chegou pra me partir
Entre espírito, mente e alma
Quando você se despedir
Deixarei a canção me levar

Orquídea

Por que fazes isso comigo
Bela menina do coração selvagem
A pureza é a razão do silêncio
E a música, a cor da paisagem.

Palavra ou código algum
Pode descrever o nosso universo
E só pra escrever dos seus olhos
Eu teria que colocá-lo em verso

Faz-me pecar por dizer
Aquilo que não pode ser dito
Sua beleza é a prova de deus
Seu coração é a palavra de cristo

Nunca li bíblia alguma
Nunca orei em melodia
Mas me tornaria se você quisesse
Fiel a qualquer fantasia

Pois toda ilusão que nos cerca
Tem sentido apenas de ser
Se no fim todas juntas completam
Um verso digno de você

Vício

Sou viciado em fazer
coisas que nunca fiz
Como que num passado distante
atuante a matriz
que manda naqueles que vivem
mais de aparecer do que ser
Tivesse me escravizado a vontade
e à verdade restou-me ceder

Mas no meu sonho eu que mando
e na música o tom vou escolher
fiz uma modulação na canção
e o meu vício eu vim a vencer
Faço o que posso pra ser um
melhor atuante nessa ilusão
De que eu vou me le bertar
Quando desconectar enxergar e visão

Daquela que é mãe

Começo a escrever em meio ao caos
Por que justifica-se a vida vivendo
E dando a vida razão de ser
Pra que quem queira acabe sendo

Seria mãe se fosse mulher
E sendo tal daria vida à luz
Mas como é claro não sou
Faço a canção que o coração conduz

Mesmo que o mundo não desse
a mim uma forma de amar
Seria contigo a idéia, a luta
A alma e a conduta a falar

Criar não é um elegante dizer
Criar é apenas um simples saber
Que não pode ser dito só por querer
Mas sim ser mostrado ao viver

É que inspira

Escrever música é mole
Foda é mostrar pra mulher
Que inspirou sua vida e
não sabe nem quem tu é

Tive esses dias com ela
Mostrei o que eu escrevi
A danada nada respondeu
Eu pensei "bom, me fudi"

Queria que ela dissesse
Que tudo iria fazer
Pra continuar a me inspirar
Por que seria um prazer

E eu diria minha deusa
Já tenho tudo que quero de você
Me inspiro na tua beleza e bondade
Só precisas o fato de ser